quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FUNDAMENTALISMO ATEU


Há tempos sem publicar nada, sinto-me na obrigação de compartilhar este texto do Dr. Ives Gandra da Silva Martins, publicado na Folha de São Paulo de hoje (disponível on-line apenas para assinantes, mas encontrei no site da Fecomercio-SP).

Padre Georges Lemaître, primeiro a teorizar a hipótese do Big Bang


Além dos avanços na ciência feitos por sacerdotes, a Igreja ofereceu ao mundo moderno o seu maior instrumento de cultura, ou seja, a universidade.


Voltávamos, Francisco Rezek e eu, de uma posse acadêmica em Belo Horizonte quando ele utilizou a expressão "fundamentalismo ateu" para se referir ao ataque orquestrado aos valores das grandes religiões que vivemos na atualidade. 

Lembro-me de conversa telefônica que tive com meu saudoso e querido amigo Octavio Frias, quando discutíamos um editorial que estava para ser publicado sobre encíclica do papa João Paulo II, do qual discordava quanto a alguns temas. 

Argumentei que a encíclica era destinada aos católicos e que quem não o era não deveria se preocupar. Com inteligência, perspicácia e bom senso, Frias manteve o editorial, mas acrescentou a observação de que o papa, embora cuidando de temas universais, dirigia-se fundamentalmente aos de fé cristã. 

Quando fui sustentar, pela CNBB, perante o STF, a inconstitucionalidade da destruição de embriões para fins de pesquisa científica -pois são seres humanos, já que a vida começa na concepção-, antes da sustentação fui hostilizado, a pretexto de que a Igreja Católica seria contrária à ciência e que iria falar de religião, não de ciência e direito. 

Fui obrigado a começar a sustentação informando que a Academia de Ciências do Vaticano tinha, na ocasião, 29 Prêmios Nobel, enquanto o Brasil até hoje não tem nenhum, razão pela qual só falaria de ciência e direito. Mostrei todo o apoio emprestado pela Academia às experiências com células-tronco adultas, que estavam sendo bem-sucedidas, enquanto havia um fracasso absoluto nas experiências com células-tronco embrionárias. 

De lá para cá, o sucesso com as experiências utilizando células tronco adultas continuam cada vez mais espetaculares. Já as pesquisas com células embrionárias permanecem em estágio "embrionário". 

Trago essas reminiscências, de velho advogado provinciano, para demonstrar minha permanente surpresa com todos aqueles que, sem acreditar em Deus, sentem necessidade de atacar permanentemente os que acreditam nos valores próprios das grandes religiões, que, como diz Toynbee em seu "Estudo da História", terminaram por conformar as grandes civilizações. 

Por outro lado, Thomas E. Woods Jr., em seu livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental", demonstra que, além dos fantásticos avanços na ciência feitos por sacerdotes cientistas, a Igreja ofereceu ao mundo moderno o seu maior instrumento de cultura e educação, ou seja, a universidade. 

Aos que direcionam essa guerra ateia contra aqueles que vivenciam a fé cristã e cumprem seu papel, nas mais variadas atividades, buscando a construção de um mundo melhor, creio que a expressão do ex-juiz da Corte de Haia é adequada. 

Só não se assemelham aos "fundamentalistas" do Oriente Médio porque não há terroristas entre eles. 

Num Estado, o respeito às crenças e aos valores de todos os segmentos da sociedade é a prova de maturidade democrática, como, aliás, o constituinte colocou no artigo 3º, inciso IV, da nossa Constituição Federal, ao proibir qualquer espécie de discriminação. 


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IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 76 anos, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.





Ateísmo - Neoateísmo - Fundamentalismo - Ciência - Igreja Católica - Vaticano

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Professores de Estórias


Nossos pimpolhos e seus mestres.
[http://midia-livre.blogspot.com/2007_04_01_archive.html]


A mente revolucionária é realmente algo extraordinário!

Ouve-se e lê-se há anos - em salas de aula, em jornais e em livros especializados - que as mais de cem milhões de mortes causadas pelo Socialismo são resultado de ações de indivíduos (Lenin, Stalin, Mao Tsé-Tung, Pol Pot et caterva) perturbados, que não souberam administrar sadiamente o excesso de poder - e não culpa do Socialismo em si. Ignora-se, é claro, que esses indivíduos perturbados, "que não representam o Socialismo", dispunham de numerosos imediatos (todos d'O Partido) e de grandiosos exércitos (formados por soldados recrutados pela coação democrática e popular Socialista).

Entretanto, quando um norueguês sozinho (Anders Behring Breivik) comete um ato terrorista, a mídia quer vender que ele agiu em nome da "direita raivosa" - e consegue executar tal venda, pois há consumidores bestializados ávidos por estas desinformações (que já devem estar sendo consagradas em salas de aula).

Somente isso já tiraria o fato do rol da Hstória e o passaria ao das estórias. Todavia, o caso adentra à surrealidade quando a imprensa norueguesa noticia (e a mídia internacional, convenientemente, silencia) que o terrorista é filiado ao Partido Nazista - Nacional-SOCIALISTA.

Automaticamente, aquele camarada que usa para ler o que deveria ser usado para limpar suas nádegas (jornais e livros didáticos de História brasileiros), dirá: "Mas os partidos Nazistas são de direita!!!". Bom, isso é o que a sua simpática professorinha ou o seu descolado professorzinho de História filiados ao PT lhe [DES]informaram.

A diferença básica (e talvez única) entre partidos Socialistas e partidos Nazistas (desde o Nazi original) é que estes são Nacionalistas, enquanto aqueles são, por definição, Internacionalistas. Se você não acredita em mim, pergunte ao próprio Führer:



Agora que você, Camarada, tem um novo ídolo para citar em suas reuniões do Grêmio Estudantil, do DA ou do DCE e já sabe que o norueguês terrorista é tão de direita quanto Emir Sader e Leonardo Boff, agradeça à sua simpática professorinha ou ao seu descolado professorzinho de Estória, filiados ao PT, por haverem-lhe contado semelhantes fábulas. Sua imaginação tornou-se fértil com o adubo orgânico que saiu das bocas de seus mestres.


"Que significa ainda  a propriedade e que significam as rendas? Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? Nós socializamos os homens." (Adolf Hitler, citado por Hermann Rauschning, Hitler m'a dit, Coopération, Paris, 1939, pp. 218-219).

P.S.: é óbvio que estou generalizando. Há, sim, excelentes e honestos professores no Brasil; mas a generalização abarca a imensa maioria e desculpa-se com a nobre minoria.



 Hitler; Nazismo; Socialismo; Anders Behring Breivik; terrorismo; ensino; professores.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sou brasileiro e não me informo nunca

É desnecessário – e até covardia – citar o fato de que a realidade que envolve o agora presidente Obama frustrou todos os prognósticos de nossos inteligentíssimos formadores de opiniões, que achavam, sabe-se lá por que, que Yes, we can! sabe-se lá o quê.

Segue um texto que na realidade é dois. Mas ambos servem para provar a mesma coisa: nós, além sermos brasileiros, ainda por cima somos mal informados.

Há um péssimo hábito do qual procuro me livrar faz algum tempo, sem sucesso absoluto: dar atenção à grande imprensa nacional. Por mais que eu tente, me policie e condene, não raro me pego dando uma espiada em uma Zero Hora ou em uma Folha, ou ouvindo algum noticiário da Gaúcha, ou, ainda (meu masoquismo informativo não tem limites) assistindo a um telejornal supostamente culto da TV Cultura.
Toda a grande mídia brasileira resume-se, com raríssimas exceções, a centrais de reproduções (incompletas e enviesadas) de notícias das agências internacionais. E ainda o fazem com uma inexatidão flagrantemente mal-intencionada (para quem quiser flagrar, óbvio).

Utilizarei um exemplo bem didático para me fazer entender: a eleição de Barack Hussein Obama. Todo o Ocidente aderiu ao obamismo. O Brasil, evidentemente, não ficaria para trás. Todos torciam pela eleição de Obama. Nas ruas de São Paulo, Porto Alegre, Novo Hamburgo, pessoas trajavam camisetas com a foto dele. Na internet os blogueiros exaltavam entusiasmados sua candidatura. E o mais incrível de tudo isso: todas essas pessoas (talvez você esteja entre elas), influenciadas pelas notícias no mais puro estilo CTRL+C/CTRL+V de nossa mídia, jamais se perguntaram e jamais desconfiaram do por que de haver aderido à obamamania.

Pela primeira vez na história dos EUA um presidente elegeu-se com base tão somente em seu potencial, naquilo que ele dizia e parecia poder fazer (no Brasil essa prática já é corriqueira). Sua história anterior às eleições presidenciais era totalmente medíocre e um tanto (significativo) obscura. Medíocre porque só o que se sabe de sua atuação como Senador (cargo que ocupava até se candidatar à presidência) é de sua exímia capacidade para angariar fundos para ONGs esquerdistas e do apoio que ofereceu ao genocida Raila Odinga, seu parente, para conquistar o poder no Quênia. Obscuro porque quando chegou ao público a declaração de sua avó de que ele havia nascido no Quênia, logo surgiu uma cópia eletrônica de uma suposta certidão sua, afirmando que Barack Hussein Obama nascera no Hawaii. Esse caso de uma provável e gravíssima fraude (é vedado a estrangeiros concorrer à presidência dos EUA), quando noticiado no Brasil, SE noticiado, apareceu em formato diminuto nos jornais e sites de notícia, praticamente nulo se comparado às páginas e mais páginas de bajulação obâmica made in Reuters, CNN e Le Monde Diplomatique.

É desnecessário – e até covardia – citar o fato de que a realidade que envolve o agora presidente Obama frustrou todos os prognósticos de nossos inteligentíssimos formadores de opiniões, que achavam, sabe-se lá por que, que Yes, we can! sabe-se lá o quê.


Durante o período que antecedeu a eleição de Barack Hussein vi as opiniões mais respeitadas do Brasil (como os gabaritadíssimos apresentadores do CQC – vejam a que ponto chegamos) fazerem festa e jogarem confete para um indivíduo cujas qualidades não passavam de suposições, baseadas em seu carisma, em sua figura de líder descolado e na simbologia que envolvia a eleição de um negro – como se a cor do presidente influenciasse na sua capacidade administrativa (Aliás, seria racismo (contra o candidato branco) achar que Obama seria um grande governante só porque é negro? “Claro que não!”, gritam as ONGs...  Só seria racismo se fosse o contrário. Não é mesmo?) Suposições estas que não se confirmaram: atualmente, até sua base aliada posiciona-se contrariamente às suas ações (como a reforma no sistema de saúde).

Percebam que nada disso foi abordado na cobertura jornalística brasileira das últimas eleições presidenciais americanas. Mas até hoje sabemos tudo sobre os Yes, we can de Obama (We can o quê!?) e os modelitos fashions de sua senhora, Michelle.

***

Ocorreu-me falar da mendacidade de nossa imprensa hoje à tarde, ao ser “presenteado” com um comentário de Túlio Milman na Rádio Gaúcha (presente enviado pelos gregos, como penitência por eu haver ousado tentar ouvir rádio novamente). Sobre a convulsão política que ora acontece na Líbia pela deposição do presidente Muammar al-Khadafi, o jornalista disse, ironicamente, mais ou menos isso:

“O que fica dessa confusão que está acontecendo na Líbia é que deve ser muito bom estar no poder! Só isso para justificar o tal de Kahdafi estar a mais de 40 anos no governo e não querer sair de jeito nenhum.”

Este comentário, aparentemente inocente e até realista denota toda a desinformação, toda a inépcia e todo o despreparo que se fazem regra no jornalismo brasileiro. É dever do jornalista passar a informação completa e os fatos verídicos a seu público. E este é outro exemplo (assim como a cobertura da eleição de Obama) de como o brasileiro, no que depender de seus canais de comunicação, está deveras mal informado.

Se o senhor Túlio Milman fizesse a lição de casa antes de sair comentando como se fosse um grande entendedor da matéria, não se surpreenderia com o fato de Muammar al-Khadafi estar a mais de quatro décadas no poder e não querer largá-lo. Khadafi é o autoproclamado Líder Fraternal e Guia da Revolução da Grande República Socialista Popular Árabe da Líbia. Se fossem minimamente atentos, os senhores Milman, Arnaldo Jabor, Milton Hatoum e todos aqueles que se pretendem jornalistas ou que acreditam que exercem a atividade com correção achariam normalíssima a sede de poder de Muammar al-Khadafi. Basta olhar para o nome do estado, batizado pelo próprio genocida e por seus colegas após a Revolução de 1969. Quanto ao caráter autoritário e totalitarista do socialismo não poderia restar dúvidas ao senhor Túlio Milman. Ele deve saber muito bem que este regime já matou, desde o início do século XX, e segue matando, mais de cem milhões de pessoas no mundo todo em nome de seu projeto (que pode-se resumir em “Um novo mundo possível para todos – mesmo que seja necessário matar todos que se oponham a ele”). Já a questão árabe é um pouco mais complicada – mas é dever de um analista sério, que se propõe a asseverar sobre o tema, entender do que está falando. Ajudemos o senhor Milman.

Não adianta querer analisar o mundo islâmico apenas politicamente – a questão é religiosa. Dentre as diversas interpretações do Corão, livro sagrado e compêndio de leis do islamismo, guia de comportamento moral e ético dos árabes, vale a sustentada pela Comunidade dos Sábios. E esta sustenta que quem está no poder está lá porque Alá quis assim. Portanto, até que se prove o contrário, quem chegou ao poder é merecedor dele – até que alguém o tire de lá. Para o islã, todo governo é legítimo desde que ele exista, pois, se ele existe é porque Alá o quis. E é assim há mais de mil anos. Isso significa que, assim que derrubarem Khadafi, quem quer que tome o seu lugar, muito provavelmente será também um ditador, pois se sentirá investido da autorização, da anuência superior de Alá para governar por muitos e muitos anos [http://www.blogtalkradio.com/olavo].

De posse destas simples informações o senhor Túlio Milman não defecaria pela boca. Como defecou pelos dedos o senhor Milton Hatoum, que acha uma maravilha democrática o levante popular que ocorreu no Egito, ignorando completamente, em artigo recente [http://twixar.com/nbXth], que, enquanto a lei dos países árabes for definida a partir da Comunidade dos Sábios e de sua interpretação do Corão, a democracia é inviável. E, no caso da Líbia, é duplamente inviável – se é que isso é possível: tanto pelo socialismo de seus governantes quanto pelas leis islâmicas.

***

Não quero e nem me sinto em condições de ser o dono da verdade, ainda mais neste debate unilateral com figuras de intelectualidade superior, como o tal comentarista da Rádio Gaúcha. Contudo, qualquer indivíduo que escolher qualquer fato noticiado no Brasil para pesquisá-lo a fundo (às vezes não precisa tanto) concluirá que, junto com seu jornal, deveria comprar um nariz de palhaço.

Acompanha sua ZH Dominical

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mensagem de Ano Novo

No início do nono ano da Era Lula, deixo uma mensagem de fundamentos de fé e princípios aritméticos.

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Palavras-chave: o suicídio é um dever.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Manual à mamação de teta governamental – para jovens

Prezados, recebo um artigo de um meu grande amigo, escrito por ele e uma kompanheira sua de lutas. 
Faço questão de publicá-lo, para que este blog apresente uma visão progreçista e revolucionária de questões até então abordadas somente sob o ponto de vista reacionário-retrógrado-burguês-direitista-conservador-cristão-neoliberal. 


[Este artigo também foi publicado no valoroso Vanguarda Popular] Segue.


Manual à mamação de teta governamental – para jovens
Por Alexandro Bostt e Naiara Amonga
Como aplicar a autopiedade sui generis da mui valorosa esquerda brasileira para obter vantagens mil e garantir-se na mamação desenfreada das tetas governamentais

1 – Você é digno de pena [e, talvez, não saiba ou não esteja se aproveitando disso]
Reúna todas, absolutamente todas as passagens da história dos entes de sua família que possam despertar em outrem sentimentos de pena, piedade, compaixão etc. Isso lhe será muito útil quando você precisar inventar uma desculpa para matar aula ou trabalho* porque ficou até de madrugada em uma cervejada/maconhada revolucionária.
Neste sentido, identifique todas as suas fraquezas, das mais insignificantes às mais clarividentes, sejam elas de ordem psicológica, física ou historiográfica; elas podem levá-lo a ser inserido em alguma minoria e usufruir de justíssimas reparações históricas.
* Em momento oportuno explicaremos o que é isso (trabalho). Não se preocupe em entender este conceito deveras abstrato para nós, esquerdistas.
2 – Se você é digno de pena, é digno de reparaçõe$
Converse com seus pais: se, por exemplo, em algum dia durante a Ditadura Militar eles foram repreendidos de forma injusta por algum policial opressor (por estarem apenas usando drogas, sequestrando um embaixador, planejando a morte de alguém ou por haverem estacionado em local proibido), você pode resolver sua vida ser for incluído no programa Bolsa Ditadura – minha guerrilha, minha vida, basta provar que no momento do suposto delito seus pais tinham pensamentos subversivos, combatidos pelo governo militar. Pronto, bem-vindo ao beautyful people brasileiro.
Ademais, não há coração acadêmico e/ou governamental que resista aos apelos de quem tem um passado familiar de sofrimentos e agruras. Se você ficou até tarde na maconhada acadêmica e não conseguiu acordar para ir à aula, isso não aconteceu por acaso: é bem provável que em tempos remotos seus ancestrais (escravos) não tenham podido gozar de festas e prazeres como pessoas livres. Você é, portanto, agente direto de uma reparação histórica! E qualquer um pode assumir essa condição: afinal, vivemos em um país que, apesar de ser preconceituoso até não mais poder, todo mundo come todo mundo há 500 anos – duvido que você não tenha um antepassado escravo.
3 – Nenhum argumento é páreo para quem já foi oprimido ou injustiçado
Nunca se esqueça: se, em algum dia, você ou alguém de sua família já enfrentou quaisquer problemas (perseguição política, fome, dificuldades financeiras, unha encravada, falta de crédito no celular etc.), sinta-se autorizado para utilizar tais adversidades como ponto final em discussões com indivíduos fascistas e opressores. Não há argumento ponderado e lógico que supere um “Você nunca passou fome! Portanto, não tem envergadura moral para opinar sobre o sistema tributário brasileiro”.
Se você já sofreu alguma injustiça social, o céu é o limite. Por exemplo: se teve uma infância pobre, você pode passar a vida inteira só fazendo campanha política (seja em sindicatos, seja para cargos públicos), não se interessar por aprender a ler ou até mesmo a se expressar claramente em momento algum (mesmo depois de passar a ser sustentado pela máfia pelo partido) e ainda se orgulhar de tudo isso.
Até aqui, tratamos de comportamento, de postura, de autopiedade a serviço do seu bem-estar. Agora, falaremos de ações práticas.
4 – Para que(m) serve seu conhecimento?
Ingresse em uma universidade pública. Você pode estar pensando que isso é difícil. Não se você escolher um curso sem concorrência desprezado pela burguesia que infesta nossas universidades: Demências Ciências Sociais. Basta se inscrever no vestibular e chutar todas as questões em uma letra só (aconselho a “C” ou a “D”).
É o início de uma exitosa carreira de mamação nas tetas governamentais.
Depois de um semestre de curso você já estará infectado apto a ser bolsista em algum projeto de pesquisa acadêmica. Eis alguns exemplos desses projetos, interessantíssimos à nação e que, por isso mesmo, recebem volumosas quantias de verbas governamentais [democráticas e populares] para serem desenvolvidos:
Núcleo interdisciplinar de estudos sobre a isonomia do sofrimento dos gêneros (dedica-se a pesquisar métodos que possam levar os homens aos mesmos sofrimentos a que as mulheres são submetidas no parto e no período pré-menstrual, reparando uma injustiça biológica).
Núcleo Antropológico de estudos do comportamento dos índios carimbobolas em dias chuvosos de outono.
Centro antropológico de estudos afro-africanos de africanices e africaneidades.
Ademais, estando em uma universidade pública, você pode se aproveitar dos restaurantes universitários que servem comida à vontade quase de graça (para nós, já que, muito justamente, quem mantém esta mamata este benefício é a burguesia escrota e exploradora).
Agora que você já sabe o que, como e onde fazer, mãos à obra.

Venha você também, kamarada!

Palavras-chave: mamação, teta, mamação de teta, governo, Estado, reparações históricas, ditadura militar, esquerdismo, revolucionários.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lula, o Tiririca que veste Armani, em: "Palhaçada em dois tempos - FMI e CPMF"

Para indivíduos de consciência "elástica", caráter diminuto e memória curta, seguem breves considerações sobre a dívida externa e a CPMF.

Em meados de 2009, a GIASSE (Grande Imprensa Aduladora que Sofre de Síndrome de Estocolmo, pois vive bajulando quem vive querendo lhe calar; talvez para não ser chamada de golpista pelos golpistas que a acusam de golpista, talvez por amor republicano à plutocracia Lulo-PTralha) prestou mais um favor, entre tantos, ao governo do PT, ao nem explicar nem desmentir a estória de que o Brasil teria pago sua dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Grosso modo, eis a verdade [que é de simples compreensão a qualquer infante, mas permanece um mistério insondável para quem informa-se pela GIASSE]:

- em função de uma política econômica austera, iniciada na gestão de Itamar Franco (com o controle da inflação e o Plano Real, entre outras ações) e mantida até hoje, o Brasil conseguiu se estabilizar;
- tal estabilização atingiu ponto alto no governo Lula, simplesmente porque este teve a sabedoria de manter a política econômica de Itamar e FHC (mas, obviamente, jamais teve a honestidade e a humildade de admitir tê-lo feito);
- além disso, para acelerar o “pagamento” da dívida externa, o governo de Vossa Indecência “trocou”, questionavelmente, a dívida externa (que está em torno de 200 bilhões de dólares) pelo aumento galopante da dívida interna (de absurdos 2 trilhões de dólares); (Fonte: Banco Central)
- de modo que o Brasil poderia pagar a dívida externa, pois tem, em ativos no exterior, valor superior ao da dívida;
- todavia, este valor segue nos ativos do governo – e a dívida externa do Brasil segue tão viva quanto a esperteza Lulática;
- em suma, teríamos dinheiro para pagar a dívida, mas não a pagamos; Lula contou meia-verdade que é, na realidade, uma mentira; e todo mundo achou graça.

O governo fez toda essa manobra, em fevereiro de 2009, para poder vir a público e dizer “Somos confiáveis” aos investidores estrangeiros, em meio à crise internacional. E, claro, já que a mentirinha colou, utilizou-a na campanha eleitoral deste ano. A GIASSE aceitou e divulgou; o povo engoliu.

O presidente Lula, o Tiririca que traja Armani, arrotou debochadamente (como lhe é muito próprio) que antes de ele e o PT descobrirem o Brasil éramos endividados e que agora estávamos tão bem que poderíamos emprestar dinheiro ao FMI, aos ricos e aos pobres do mundo.

E isso sim não foi mais uma mentirinha de Vossa Indecência: o Brasil, de fato, perdoou 95% da dívida de Moçambique e não pára de celebrar acordos com Cuba, Venezuela e Bolívia (dos mui democratas Fidel, Chávez e Evo Morales, parceiros de primeira hora de Lula e Dilma), onde investe muito mais do que sonha gastar com a educação e a saúde do país.
Lula, em 02 de abril de 2009, assim resumiu a farsa do pagamento da dívida externa, em lulês erudito, cuja marca principal é a pilhéria e a desfaçatez:

Vocês não acham chique emprestar dinheiro para o FMI? O Brasil hoje tem solidez.  
[Fonte: O Globo.]

Presume-se, então, que nunca-antes-na-história-deste-país o Brasil dispôs de tamanha tranqüilidade e, por conseguinte, de fontes financeiras para prover sua população de necessidades básicas.

Entretanto, na última quarta-feira, 3 de novembro, Lula, em entrevista ao lado de Dilma, defendeu a volta da CPMF, como incremento aos investimentos em saúde.

Especialista que é em ignorância e, como sempre, proclamando sua abjeta autopiedade (“Vejam como eu sofro, como sou atacado injustamente!”), sentenciou:

Tiraram [a CPMF] achando que iam me prejudicar, numa atitude de ignorância sem precedentes, por que o Lula tem plano médico.  
[Fonte: G1.]

Como sempre, Lula mediu os demais com a régua de sua torta moral [suponho que ele tenha alguma]. Porque o PT passou duas décadas sendo contrário a qualquer ação que não partisse de seus quadros (p. ex., não assinando a Constituição de 1988 e posicionando-se contra o Plano Real), o presidente acha que todos os políticos de "oposição" agem "na base da perseguição", ignorando que o fim da CPMF, uma contribuição provisória, foi um clamor, sobretudo, da população, cansada de bancar um Estado inchado e inoperante com tantos tributos.

Disso tudo, fica uma pergunta ao presidente Lula, à presidente eleita Dilma, à grande imprensa aduladora, aos governadores e congressistas da situação e da pseudo-oposição e a todos os inteligentíssimos e ponderados militantes PTistas, que arrotaram durante toda a campanha eleitoral que, entre inúmeros feitos grandiosos (que fariam Dom Quixote enrubescer), agora, além de não mais dever para o FMI, o Brasil ainda tinha dinheiro sobrando para emprestar:

Por que o Brasil, país tão generoso e estável, que não deve nada para ninguém e ainda tem dinheiro para emprestar, precisa da volta da CPMF para bancar investimentos em saúde?


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A resposta a 1984 é 1789



Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo. Eça de Queiróz


Em pronunciamento oficial na manhã de ontem, 3 de novembro de 2010, o presidente Lula disse muito sabiamente: "Espero que a oposição não faça com a Dilma o que fez comigo"

É óbvio que estou ironizando a fala de Vossa Indecência. A frase de Lula não foi sábia, foi abjeta. Foi fruto de sua insondável autopiedade. Desacostumado com a crítica, depois de anos de tanta bajulação injustificada, qualquer ataque à sua pobre pessoa é mais cruel que as chibatadas que Cristo recebeu (e isto foi o próprio Lula quem disse!!!).

Entretanto, tomada fora de contexto, a frase do presidente é corretíssima. Que a oposição seja outra, pois: que ela não seja covarde, omissa e passiva como foi nos 8 anos de governo Lula.

Findadas as eleições no Brasil, em que tivemos o surgimento de um esboço de oposição somente aos 43 do segundo tempo (utilizando uma metáfora de nível lulático), vemos os Estados Unidos darem um exemplo de como se desmistifica falsos messias.

"Não pise em mim"

Barack Hussein Obama foi eleito como um profeta dos injustiçados e das minorias, requereu estatuto de superioridade por ser negro (quando o que importa é ser competente; ser negro, branco, amarelo ou verde é mera característica física) e tinha seu messianismo calcado em absolutamente nada – jamais fizera nada de útil que justificasse tanta badalação em torno de sua candidatura e posterior eleição.

No Brasil ocorreu fenômeno semelhante em 2002, à diferença de Luiz Inácio Lula da Silva haver requerido estatuto de superioridade por seu passado de pobreza. Nada mais justo: Lula é um dos poucos brasileiros que passou alguma dificuldade na vida, merece tratamento diferenciado por isso. Passado muito remoto, aliás. Porque desde que se tornou líder sindical, em meados da década de 1970, até a sua eleição como presidente, em 2002, Lula foi muito bem sustentado pelo PT.

Ademais, Lula e Obama em pouco se diferem: ambos traziam consigo a tábua da salvação, a qual se revelou grafada em tinta solvente. A diferença essencial está em seus eleitores e, sobretudo, em suas respectivas “democracias”.

Na democracia bicentenária americana as posições de situação e oposição estão claramente marcadas. Em termos gerais, não há proselitismos fisiológicos, ou seja, os conchavos político-partidários que aqui são a regra, lá são a exceção.

Deste modo, em apenas dois anos Barack Hussein Obama teve seu caráter salvadorífico completamente desmistificado pela força dos fatos. No Brasil os fatos também teriam força suficiente para desmistificar o sr. Luiz Inácio. Todavia, à diferença dos EUA, os fatos brasileiros não encontraram voz, não tiveram a divulgação que colocaria o pretenso todo-poderoso Lula em seu lugar. A oposição covarde e a mídia omissa acreditaram no choro de Lula e do PT, "deixa o homem trabalhar", e não incomodaram Vossa Indecência.

Nossa “oposição”, salvo raríssimas e louváveis exceções (como a senadora Kátia Abreu, TO, e o deputado federal Jair Bolsonaro, RJ), foi omissa, fraca, covarde e se viu constantemente acometida pela Síndrome de Estocolmo (bem como nossa isentíssima mídia, que já nas primeiras entrevistas com a presidente eleita trata de bajulá-la e reescrever sua história sombria). 

Apenas na reta final da campanha à presidência e agora, após a derrota, o candidato oposicionista, José Serra, deu mostras de que estaria disposto a fazer uma oposição de verdade. Não creio muito.

Oposição de verdade, pois, há no grande irmão vizinho do norte.

Entre tantos sensos comuns de fundamentos débeis está o ódio mundial aos EUA. Ora, trata-se de uma inconteste democracia desde 1789; de um país que acolhe e dá oportunidades a imigrantes de toda parte (tente você, um ocidental, imigrar para um país islâmico); que assegura as diversas liberdades individuais; e que, por fim (haveria muito mais, mas isto é assunto para outro texto), não pára de nos oferecer exemplos positivos em diversas áreas.

Inobstante, nossas eleições nos oferecem a valiosa lição de que uma democracia somente assenta-se firmemente sobre a pluralidade. Quando um presidente celebra que uma eleição será disputada apenas entre partidos de esquerda, como fez Lula sobre o pleito de 2006, é sinal de que o quadro é deveras preocupante. Como bem nos ensinam os fatos e registrou Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. E esta burrice acabou por contaminar o eleitorado brasileiro.

Perdido entre dois projetos de governo praticamente idênticos [diferenciados pelo fato determinante de que um, o PT, tem horror à democracia e à pluralidade (vide as tentativas do governo de silenciar a imprensa e a célebre sentença de Lula clamando pela “extirpação” de um dos principais partidos de oposição) e o outro aceita o jogo democrático (de forma muito passiva, diga-se de passagem)], os eleitores brasileiros menos informados não teriam outra escolha a não ser votar em quem oferecesse o pão mais volumoso e o circo mais divertido.

Aos eleitores minimamente informados coube a dificílima tarefa de filtrar as informações oferecidas pela imprensa, em sua maioria formada por ex-caras-pintadas aduladores de Vossa Indecência, e pelas campanhas políticas. 

De modo que os resultados das urnas mostram que o povo clama por uma oposição de verdade, pois mais da metade do eleitorado (os que votaram em Serra, em branco e nulo) recusou o projeto supostamente messiânico do PT.

E o que isso tem a ver com os EUA? Tem a ver que na última terça-feira, 02 de novembro de 2010, a oposição americana fez de maneira organizada, e por isso eficaz, o que parte do eleitorado brasileiro fez desordenadamente, e por isso ineficaz no que se refere às urnas.


Por isso cito no título deste artigo, em tradução livre, o nome do livro de Alex Jones, The Answer to 1984 is 1789. De fato, a democracia e as liberdades individuais preconizadas em 1789, quando da promulgação da Constituição dos Estados Unidos, são a melhor resposta ao controle social, às tendências déspotas e autoritárias daqueles que querem legislar até o que os indivíduos devem pensar, representados em 1984 (distopia de George Orwell) e em governos como o do PT.


Voltando ao pleito americano, os Republicanos foram os grandes vencedores das eleições parlamentares nos EUA. E devem tal vitória, em enorme parte, ao movimento Tea Party

Fico por aqui e deixo que Nivaldo Cordeiro nos explique que movimento é esse, que brecou o lunatismo obâmico e ajudou o povo americano a ser representado como lhe interessa de verdade nas esferas do poder civil. O texto que segue foi escrito antes de nossas eleições, mas servem para o atual momento.



Quando eu escrevi a resenha do livro Missa Negra, do John Gray, o movimento do Tea Party ainda não tinha eclodido e o governo Bush estava em baixa. A coisa, no cenário mundial, parecia perdida, com a iminente eleição de Barack Obama. A Europa inteira estava (está) sob as rédeas da social-democracia. Eu não via futuro para os valores superiores da civilização ocidental, que continuava (continua) sob o assédio guerreiro do Islã.

Para piorar tudo explodiu a crise econômica mundial, que pegou a quase todos de surpresa. Veio com uma ferocidade nunca vista e os trompetes do apocalipse foram tocados.

Mas eis que, quando tudo parecia acabado e perdido, as forças vivas da civilização brotaram novamente. Tinha que ser lá, nos EUA, nessa bendita terra que tem a vocação de virar a guardiã da ordem em toda parte. Mesmo elegendo, por um soluço histórico, o representante da decadência esquerdista, ato contínuo o povo, de forma espontânea e inesperada, sem lideranças aparentes, sem condutores nomeados, seguindo o próprio instinto de sobrevivência, do certo e do errado, começou a derrotar os inimigos da civilização nos redutos historicamente por eles dominados. Vimos que o sucessor do senador Kennedy, depois de 47 anos, é um conservador.

Nesse exato momento os prognósticos eleitorais nos EUA dão como certa a derrota das esquerdas, para todos os cargos. Quem faria uma previsão dessas há um ano? Ninguém. Mas está acontecendo. A simples perda da maioria parlamentar já impôs a Obama um realinhamento na condução do governo. Ele não poderá mais governar de costas para a nação. Então ele mudou tudo no Oriente Médio, na política de relacionamento com a ONU (veja-se o que houve no Haiti) e mesmo na condução dos negócios internos. Sua ânsia socialista minguou de repente.

O movimento já tinha se manifestado antes, de forma imperceptível, na estrutura dos meios de comunicação. Os jornais impressos, quase todos nas mãos dos esquerdistas, viram sua tiragem despencar pela rejeição dos leitores. Os programas de TV de grande audiência provaram uma profunda e brusca mudança. O rádio, o velho rádio, teve uma injeção de vida insuspeita. Essa reviravolta transformou apresentadores desconhecidos em famosos e aposentou muito figurão do meio jornalístico. Foi um basta ao processo de estupidificação dirigida pelos decadentes, os promotores da sociedade permissiva e degradada.
O Tea Party veio a ser a consolidação desse processo subterrâneo na esfera da política. Os velhos valores da democracia liberal foram ressuscitados, em oposição aos valores propagandeados há décadas do igualitarismo socialista. Algo realmente sensacional aconteceu. Tudo mudou.

Caro leitor, o Tea Party tem uma base filosófica profunda em autores como Leo Strauss e Eric Voegelin. Esses filósofos, os maiores do século XX, conseguiram audiência em meio ao ruído socialista que é propagado por toda parte. E o que disseram esses homens? Que devemos voltar à tradição, grega e judaico-cristã, no âmbito dos valores. Que devemos consolidar as conquistas da democracia liberal no âmbito da economia. Que as instituições precisam ser moldadas para que o espaço de liberdade seja protegido e a ameaça totalitária seja expelida.
Um grito de liberdade atravessou a América e, espero eu, deve se espalhar pelo mundo. Até mesmo aqui, nessa terra de Lula lá e sua Coroa, a coisa pode sofrer uma forte reviravolta. Em nosso país nunca as pessoas conservadoras foram tão poucas e estiveram tão dispersas e desorganizadas. Quero acreditar que em nossos subterrâneos algo assim também esteja em gestação. É possível que nem tudo esteja perdido. A missa negra dos tempos parece estar acabando.




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O recado das urnas



Uma homenagem aos 55 milhões de brasileiros que deram um claríssimo recado nas urnas - a saber: 
- quebra de sigilo fiscal de adversários;[1] 
- corrupção organizada e institucionalizada;[2]
- assassinato de inimigos e queima de arquivo;[3]
- alianças fisiológicas;[4]
- despreparo evidente;[5] 
- deboche com a democracia e suas instituições;[6]
- um passado vexante;[7]
- discurso incoerente e eleitoreiro;[8]
- intolerância com a oposição;[9]
- perseguição à imprensa e à liberdade de expressão...[10] 
...Nada, nada disso importa na hora do voto.


[1] – Quebra de sigilo: http://twixar.com/UQS4e.
[2] – Mensalão e Erenice (dossiês e tráfico de influência): http://twixar.com/DW3 / http://twixar.com/tSIT.
[3] – Caso Celso Daniel: http://twixar.com/Yp9r.
[4] – Diga-me com quem andas...: http://twixar.com/phK8.
[5] – Eloquência: http://twixar.com/6RN0cF.
[6] – Deboches: http://twixar.com/In1HK.
[7] – O passado oculto de Dilma: http://twixar.com/B79iP.
[8] – Incoerências: http://twixar.com/A0t2 / http://twixar.com/MaJ.
[9] – Intolerância: http://twixar.com/yv4ob.
[10] – Liberdade? Para quê? http://twixar.com/M8E

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Por que voto em Cristo... Digo, em Lula... Digo, em Dilma!", por Néscio Vetusto


Recebi uma mensagem educada de um PTista (sim, existe PTista educado!) e, pelo mesmo motivo que não deixaria de publicar uma foto que eu mesmo tirasse do Cometa Harley, publico aqui a dita.
Em tempo: pelo que consta, este senhor PTista é parente muito próximo de uma famosa velha senhora de Taubaté.

                                                                    ***

Fonte: resistenciademocraticabr.blogspot.com
Não consigo entender quem não vai votar na Dilma no próximo domingo. Ouço argumentos terríveis, falaciosos, equivocados, mendacíssimos.

Talvez o mais equivocado de todos seja dizer que Lula, Dilma e o PT querem implantar uma ditadura constitucional no Brasil, a exemplo do que ora é feito por Chávez na Venezuela e por Evo Morales na Bolívia.

Como isso se daria? Através do PNDH-3? Ora, que besteira! Mesmo que o PNDH-3 fale em rever o direito dos cidadãos à propriedade privada, introduza limitações à liberdade de imprensa e cerceie até as opiniões pessoais dos indivíduos, ele o faz de forma muito democrática e republicana.[1] Não temos por que temer – e eis os motivos:

1 – Lula e Dilma foram traídos pela correria do dia-a-dia, por essa rotina atribulada que têm as pessoas importantes, e assinaram o documento sem lê-lo! [2]

2 – Não há incoerência em, primeiro, Lula e Dilma dizerem que não leram o Plano, depois defendê-lo e por último alterá-lo para agradar eleitores setores da sociedade.[3] Isso só mostra como as pessoas podem evoluir e mudar de opinião. Lula e o PT não eram inimigos de morte de Collor e Sarney? E hoje não estão todos juntos para perpetuar no poder conchavos políticos/partidários/familiares fazer o Brasil avançar ainda mais?

3 – Last but not least, ainda que o PNDH-3 fosse um recurso ditatorial... Qual é o problema? Se Lula, Dilma, Zé Dirceu e o PT são bons para o Brasil, não vejo problema em o poder ser absoluta e totalitariamente exercido por eles. Se a economia vai bem e eu posso comprar meu carro sem IPI (mas com uma cacetada de outros tributos), não estou nem aí para liberdade de expressão, opinião e culto, direito à propriedade privada e a direito a educar meus filhos como quero etc. [Ok, eu sei que a política econômica é a mesmíssima do governo FHC, que o presidente do Banco Central já foi eleito deputado federal pelo PSDB... Mas o jeito PT de governar é diferenciado, tem algo de especial, de divino!] De mais a mais, quem não vai querer uma das 100 mil vagas que uma possível Censuradoria Geral da União poderá abrir?


Desfeito esse argumento anti-PT, vamos a outro: corrupção.


Sei que o PT passou vinte anos posicionando-se como paladino da ética e que quando chegou ao poder acabou fazendo um ou outro jogo sujo. Mas isso faz parte da abnegação PTista, são sacrifícios democráticos e republicanos. Se ELES foram corruptos para o mal, nós fomos para o bem, o bem do povo brasileiro. Ademais, em geral, é tudo invenção da mídia golpista.

Por exemplo, o Mensalão. Quando o suposto escândalo estourou, cabeças rolaram e não teve como disfarçar o envolvimento de Lula no caso.[4] Depois, o presidente afirmou não saber de nada – e isso não denota incompetência administrativa, apenas comprova que Lula é tão bom que maldade alguma chega perto dele. Por fim, hoje sabemos que foi tudo obra da imprensa golpista, que depositava dinheiro nas contas dos parlamentares da base-aliada para parecer que o governo comprava votos e apoio no Congresso. E depois querem ter liberdade...

Da mesma forma o caso Erenice... ... ... ... ... ... ... ...
Bom, esse o partido ainda não me informou como defender. Mas tenho certeza de que é invenção da imprensa golpista e de que Erenice ainda será comparada a Tiradentes!


Agora que já desmistifiquei dois dos principais argumentos contrários a Lula, Dilma e o PT, falarei de pontos positivos – acessíveis a qualquer pessoa que preste atenção nas propagandas do Governo, nas falas de Lula e na campanha de Dilma. Aos fatos [e contra fatos não há argumentos].


Todos sabem que até 2002 a economia brasileira era baseada na produção de café e de cana-de-açúcar e que a política econômica do governo limitava-se a negociar com os produtores o valor que pagaria a eles pelos excedentes. Quando Cabral foi embora, em 31 de dezembro de 2002, levou toda a reserva de espelhos e badulaques que o governo guardava para negociar com seus principais parceiros (a Prússia e o Império Austro-Húngaro), esvaziando os cofres e deixando uma herança maldita para o governo Lula, que começaria no dia seguinte.


Mas não tem nada não! Quando assumiram, em 1º de janeiro de 2003, Lula e o PT sacudiram a poeira e iniciaram a civilização do Brasil. A primeira medida foi extinguir o escambo e estabelecer o Plano Real (concebido por Lula em uma discussão que teve em uma aula que ministrou na Universidade de Viena, no início dos anos 70, com seus alunos Ludwig von Mises e Frederich Hayek), o que facilitou o controle da inflação, que era de 145.567.351.673.309% até o fim de 2002 e passou para –900% a partir da inovadora política econômica de Lula.

Em um esforço fora do comum, antes do terceiro mês de gestão petista foi concluída toda a malha rodoviária que nos permite hoje rodar pelo Brasil. Deste modo, a população não mais viveria apenas no litoral, podendo habitar e desenvolver outras Capitanias.

Em duas tardes tediosas e chuvosas de 2003, inspirado por uma semana de intenso trabalho na tradução da Constituição Americana e de A República, de Platão (do inglês e do grego, respectivamente, para o português), o presidente Lula escreveu a Constituição do Brasil, cujo texto foi atentamente revisado pela Mestre sem mestrado e Doutora sem doutorado Dilma Rousseff.[5]

Em outubro do mesmo ano, depois de 50 anos de protelação por parte dos governos anteriores (feudais e imperiais), Dilma aconselhou Lula a criar a Petrobrás e a começar a exploração do petróleo no Brasil.
Em janeiro de 2004 Dilma cavoucou pessoalmente o buraco do primeiro poste de energia elétrica instalado no país.

Nossa candidata também foi responsável pela criação de Brasília! Em março de 2004, Dilma, que, como poucos sabem, cursara arquitetura enquanto estudava táticas militares em Leningrado com Fidel e Stalin, entregou um de seus rascunhos a Oscar Niemeyer (imagem ao lado).

Um mês depois, no almoço de inauguração da Granja do Torto, Lula, Collor, Sarney e Zé Dirceu revezavam-se ao piano e aos violinos em um recital de música erudita para os amigos. Em um momento de improviso, mesmo com um dedo a menos (perdido na Batalha em que expulsou Bush e o FMI do Brasil, colocando em prática o grito “Yankees, go home!” e impondo a primeira grande derrota militar aos EUA desde o Vietnã), Lula tocou as primeiras notas daquilo que hoje conhecemos por Hino Nacional. E pediu para seu grande amigo, o poeta Tarso Genro, escrever a letra do Hino. Tarso fez com a mesma primazia com que escrevera seus poemas [”Quanto te esperei e quanto sêmen inútil derramei até o momento”].[6]

Stalin, Lenin e Dilma. "Camaradas de armas!"
Fonte: www.vanguardapopular.com.br

Poderia ficar um mês dando exemplos do bem que o PT (et caterva) fez para o Brasil. O governo Lula nos deu os direitos trabalhistas, nos trouxe a energia elétrica e a água potável, criou as primeiras universidades federais, aboliu a escravidão...

Com tudo isso, não entendo que se considere um exagero Lula comparar Dilma Rousseff a Jesus Cristo; primeiro porque sabemos que isso de religião é coisa de burguês que quer manipular os mais pobres e, segundo, porque, se Cristo existiu mesmo, é difícil saber se ele foi mais perseguido e torturado pelos poderosos do que Dilma.[7]

Da mesma forma, Lula não pode ser considerado megalomaníaco por comparar Dilma a Nelson Mandela! Ele é, sim, realista. Nenhum líder de nenhum país é superior a qualquer membro do sacrossanto PT, mesmo que esse membro jamais tenha tido mais que pequenas participações burroburocráticas, como nossa querida Dilma.

Acredito que até a véspera da votação do dia 31 próximo, Lula deverá afirmar (como nos informam os amigos do www.sensacionalista.com.br), sem medo de errar, tudo aquilo que a oposição tenta esconder:
·           quando Neil Armstrong chegou à Lua, Dilma estava lá para recebê-lo;
·           Deus criou o mundo em seis dias – no sétimo, Dilma deu uma retocada;
·           Che Guevara usava uma camiseta com Dilma estampada;
·           Einstein estava confuso – Dilma lhe disse: “Calma, tudo é relativo”;
·           Chuck Norris tem medo de Dilma;
·           Buda tinha uma pequena estátua de Dilma em casa;
·           Dilma recusou uma cantada de José Mayer;
·           Dilma sabe como é a voz de Dona Marisa.

Por todos estes fatos irrefutáveis, que só a oposição ressentida e a imprensa golpista insistem em negar, é que voto Lula! Digo, voto Dilma!!!

Néscio Vetusto da Silva.
Taubaté, 28 de outubro de 2010.

"Obrigado, Dilma!"


[1] – Decreto golpista de Lula usa direitos humanos para tentar censurar a imprensa e quer movimentos sociais substituindo o Congresso: http://twixar.com/fJS7F.
[2] – Lula e Dilma assinaram sem ler. Mas estão de acordo com o Plano Ditatorial: http://twixar.com/0mX.
[3] – Governo recua, mas ainda há riscos: http://twixar.com/akZKw
[4] – Saiba tudo sobre Lula e o Mensalão: http://www.escandalodomensalao.com.br/.
[5] – Dilma e o Diploma falso: http://twixar.com/nhib.
[6] – O poeta Tarso Genro: http://twixar.com/T2wck.
[7] – Lula compara Dilma a Jesus Cristo: http://twixar.com/XWltds.
[8] – Lula compara Dilma a Nelson Mandela: http://twixar.com/pZSjV.


Palavras-chave: Lula, Dilma, PT, Jesus Cristo, Mensalão, Eleições, Collor, Sarney, Zé Dirceu.